TRIBUTO A RUBEM
ALVES
Paixão dos professores e amigo
das crianças, Rubem Alves deixa um legado imperecível. Ele mesmo dizia que
tinha um caso de amor com a vida. Semeou poesia, encantamento e paixão pela
vida.
Mineiro de fala mansa, inventou
estórias para encantamento de adultos e crianças, recuperou sonhos, passeou
pela filosofia com simplicidade, ajudando professores a recuperar utopias
atropeladas pela complexidade das teorias difíceis de serem aplicadas em sala
de aula.
Percorreu o país em todas as
geografias, e não havia evento que não desejasse ter o Rubem entre os
palestrantes, porque sucesso garantido. E, na maioria das vezes, pessoas
emocionadas às lágrimas, quando não ele mesmo no final da conferência.
Não escrevia o texto da
palestra, jamais usou recursos tecnológicos. Ele era só palavra e emoção.
Palavras de puro encantamento, que faziam sonhar, imaginar, visitar reinos
encantados, viajar a bordo de suas estórias, jogar bolinhas de gude e de sabão,
enfim, virar criança.
Lembro uma frase antológica em
uma de suas palestras: "A missão do professor e da escola é descobrir a
beleza adormecida em cada ser humano e abrir as avenidas fundamentais dos
sonhos". Este era o Rubem Alves, pensador, filósofo, teólogo, escritor,
professor, pedagogo, poeta, mas, acima de tudo, apaixonado pela vida.
Os seus escritos são o
testamento de suas crenças, e suas palavras continuarão ecoando em nossos
ouvidos e corações como eternas mensagens de amor pelas crianças, cujo corpo -
dizia ele - é um espaço infinito onde cabem todos os universos.
Em uma de suas memoráveis
crônicas, Rubem nos deixa de certa forma o segredo da educação: "Aqui se
encontra o retrato deste mundo. Se você prestar bem atenção, verá que há mapas
dos céus, mapas das terras, mapas do corpo, mapas da alma. Andei por estes
cenários. Naveguei, pensei, aprendi. Aquilo que aprendi e que sei, está aqui. E
estes mapas, eu lhe dou, como minha herança. Com eles você poderá andar por
estes cenários sem medo e sem sustos, pisando sempre a terra firme. Dou-lhe o
meu saber".
E, inspirado em Nietzche,
arremata: "É preciso navegar. Deixando atrás as terras e os portos dos
nossos pais e avós, nossos navios têm de buscar a terra dos nossos filhos e
netos, ainda não vista, desconhecida", certo de que os sonhos são os mapas
dos navegantes que procuram novos mundos, conclui o mestre. (Osvino Toillier)

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