sexta-feira, 1 de agosto de 2014



TRIBUTO A RUBEM ALVES

Paixão dos professores e amigo das crianças, Rubem Alves deixa um legado imperecível. Ele mesmo dizia que tinha um caso de amor com a vida. Semeou poesia, encantamento e paixão pela vida.
Mineiro de fala mansa, inventou estórias para encantamento de adultos e crianças, recuperou sonhos, passeou pela filosofia com simplicidade, ajudando professores a recuperar utopias atropeladas pela complexidade das teorias difíceis de serem aplicadas em sala de aula.
Percorreu o país em todas as geografias, e não havia evento que não desejasse ter o Rubem entre os palestrantes, porque sucesso garantido. E, na maioria das vezes, pessoas emocionadas às lágrimas, quando não ele mesmo no final da conferência.
Não escrevia o texto da palestra, jamais usou recursos tecnológicos. Ele era só palavra e emoção. Palavras de puro encantamento, que faziam sonhar, imaginar, visitar reinos encantados, viajar a bordo de suas estórias, jogar bolinhas de gude e de sabão, enfim, virar criança.
Lembro uma frase antológica em uma de suas palestras: "A missão do professor e da escola é descobrir a beleza adormecida em cada ser humano e abrir as avenidas fundamentais dos sonhos". Este era o Rubem Alves, pensador, filósofo, teólogo, escritor, professor, pedagogo, poeta, mas, acima de tudo, apaixonado pela vida.
Os seus escritos são o testamento de suas crenças, e suas palavras continuarão ecoando em nossos ouvidos e corações como eternas mensagens de amor pelas crianças, cujo corpo - dizia ele - é um espaço infinito onde cabem todos os universos.
Em uma de suas memoráveis crônicas, Rubem nos deixa de certa forma o segredo da educação: "Aqui se encontra o retrato deste mundo. Se você prestar bem atenção, verá que há mapas dos céus, mapas das terras, mapas do corpo, mapas da alma. Andei por estes cenários. Naveguei, pensei, aprendi. Aquilo que aprendi e que sei, está aqui. E estes mapas, eu lhe dou, como minha herança. Com eles você poderá andar por estes cenários sem medo e sem sustos, pisando sempre a terra firme. Dou-lhe o meu saber".
E, inspirado em Nietzche, arremata: "É preciso navegar. Deixando atrás as terras e os portos dos nossos pais e avós, nossos navios têm de buscar a terra dos nossos filhos e netos, ainda não vista, desconhecida", certo de que os sonhos são os mapas dos navegantes que procuram novos mundos, conclui o mestre. (Osvino Toillier)